Vidraça Escura






Eu fui uma menina triste
Daquelas que só existe
Por trás de uma vidraça escura
Em uma cidade qualquer
Esquecida em qualquer rua.

Eu tinha um olhar triste
Minha mãe não se poupava em nada:
Eu tinha as bonecas mais lindas
E a bicicleta mais cara.
O que eu não tinha era simples:
Faltava sossego em casa.

(Brigas, madrugada,
Gritaria ,Vizinhança,
corria, acudia :
- Cadê o meu irmão ? Ele ainda é criança !)

Não tinha vontade de sair
para não ouvir o que diziam:
"-Pobre menina, tão pequenininha."
(Meu sorriso,
Era reservado às bonecas,
elas sempre me entendiam.)

E entre carrosséis.
Brinquedos, Natais,
Sonhos insanos;
-E o medo do vidro quebrado
Ao ver papai embriagado
No meio da madrugada,
e meu irmão pequeno
chorando-

Mamãe persistia, explicava
“Existe algo além da dor
- Mundo além da nossa casa –
Deus nos está cuidando"


O tempo arrastado,
reticente,
Foi caminhando
.
.
.
Vagarosamente
.
.
.
Passando.

Cresci. Finalmente.
Os gritos agora já não podem me alcançar
Tenho o dia ocupado:
Trabalho, Família.
À noite chego tranqüila
Ansiosa para descansar

Mas, às vezes...
Meu sorriso aflito nervoso
Volta em meus sonhos
Revirando meu passado
-Me vejo criança, sentada, sozinha,
em qualquer cantinho afastado
sem muitas amigas,
vazio ao meu lado...-

E pela manhã
entendo o que sonhei
Quando miro o espelho...
-Tenho olhos vermelhos
E deixo na cama
Um travesseiro encharcado-.

Percebo:
O futuro chegou
Porém ainda trago
Um coração assustado.


(Jessiely)

Louca e Pura





Lua
Na amplidão
observando-me
solitária
Esquecida,

redonda
pálida
nua

Não creia que sou
inocente
Ou que não conheço
Meu lado (obscuro)
Também tenho fases
- estou na rua -

Sei que sigo.
sozinha
Essa estrada

Saiba, conheço
Tua forma de
zombar
disfarçada

Finge que esconde segredos:

(- Não sei
Onde esta meu amor
Não me conte
Mais dissabor
Tenho medo.)

Vou seguindo;
A noite é clara,
A estrada fechada,
Iluminada por vaga-lumes.

Quero os braços
De quem amo
Para que não
Cesse o encanto
Nem a solidão
Se acostume.

Refaço a rota
Volto ao quarto
No reencontro
- sou louca
E pura -

Fecho as janelas
Não deixo frestas
Para a Luz

E os nossos
Corpos nus
Tu não verás

Lua.


(Jessiely)

Inerte


Pendurada na corda bamba
dos meus sonhos,
desafio a gravidade,
inerte e imune
à realidade.

Trago teu silêncio
persistente
para meu quarto.

Madrugada nas cortinas,
despida Lua
E teu retrato
orvalhando
pela cidade.

Pobre de mim
que lancei
meus desvarios
sob o nada
e perdi
minhas razões
em certezas absurdas.

Pobre desses sonhos
tão mutantes,
metamorfoses
lancinantes,
mãos fecundas.

- há sempre uma
tristeza
nessa sala
que me inunda -

Nesses momentos
de insensatez profunda,
sou menina.

E apenas
o teu olhar
castanho
me alucina.


( Jessiely)

Surya





O Sol
Que alimenta
Seu corpo
Nas madrugadas
Sem vida

Nasce em meu ventre
E te guia
De encontro ao céu:
Raios de Surya

O corpo que banho
A luz
Que a clara manhã
tece

É o mesmo
Que na noite
Foi teu
E o calor
Que se entrega,
entorpece

Ah, noites!
Nas quais te beijo
E renasço
-Entre prazer
E espelhos-

E que no fogo
No breu
Explosões...
Sol do escuro


Te aqueço.


(Jessiely)



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Perfume de Mulher




Meu coração
Às vezes é janela
Às vezes, gaiola...

E me deixa sempre assim
Meio amparada,
Meio só.

Meu sentimento
Não tem regra:
magoa,
chora.

Noite fria
Me reclamo
Mas, não sei
Se me zango
Ou se me tenho
Dó.

(teu amor)
Ah, nem sei,
Tenho medo
(De ser só)

Meu passarinho
Não te prendo,
Nem te privo...

Repara bem
Se não sou
Ilusão de ótica
E sem me quer.

Não tenho
Tantos atributos
Quanto a Rosa
Mas, não
Me ressinto.

Prefiro ser
Girassol...
Com perfume de mulher.

Meu coração
É meio janela,
Meio gaiola

Só
estarás
preso
A mim
se
Quiseres



(Jessiely)

Maracatu


*




O Corpo corresponde
Aos apelos do som
Que me impõe
A cidade antiga

Os braços flutuam
Entre o Céu e a rua,
Entre a torre e o mar,
Entre o vinho e a Lua.

A ciranda que tece
O bailar ritmado.
Os pés que batem
Com força no chão

Um barco que aporta,
Um farol que ilumina,
A escada sem fim,
Que descortina a imensidão.

E o vinho
Que despertou as lágrimas
E te sorveu para o meu coração.

A Rua da Moeda,
As nuvens carregadas,
E a chuva
Que cismou em não cair.

Agora
Ouço
Maracatu
Longe
De ti.

(Amélia Jessiely Soares)

Cidade entardecida.




Qual lua desperta,
Estive em teus braços
No parapeito da janela, dispersa,
Cuja vista despencava
Numa queda sem fim
Dentro da cidade entardecida.

Os ritmos que
Transpiravam a alma
Faziam-me repensar
As certezas sobre a vida.

Na escada em caracol,
Pela torre mais alta,
Onde antes homens lutavam
Por sua terra,
Honra,
Vida.

- estive
Há poucos passos
De Deus,
Até pude sentir
Sua brisa -

E o sonho encerrou
Apenas por hora.

Com o vinho,
O beijo, a ciranda.
O Marco Zero.

E seguimos
Entre sorrisos e tropeços
A Conde de Boa Vista,
Observando olhares alheios

Deixando pelo caminho
O cheiro do mar,
O poeta na estátua antiga,
Os rastros da nossa história
Nas pontes
Sobre o rio
Sem vida

- mãos dadas
Pela cidade
Antiga -



(Jessiely)

Proletaríssimo


Não quero ser
Pedaços de sonhos:
pesadelos
É que me dilaceram.

Sou apenas
Um sentido oculto,
De um segredo
Que me disseram.

Um ser antigo,
Não na pele,
Essa mera e
Mórbida camada
Que me reveste;

Sou antiga
Em sentido amplo
-Meu espírito não
Foi domesticado
Ainda é silvestre-

(sou sentimento mútuo
Em tempo de amor agreste)

Sou desejo incontido
Em toques
Desses, daqueles,
Aos quais não posso tocar.

E às vezes,
Faço-me orvalho
Pra finalmente
Me dispersar.

E nas madrugadas
Revitalizo-me
Ser da noite
de olhar tranqüilo...

Amanhece
e
recomeço;


Proletaríssimo!

(Jessiely)

Desejo Inútil




Fiz-me céu
porque sempre
- sutilmente -
Vejo-me em tua praia

quando ao fim de tarde
senta-te na areia
e miras o mar

Fiz-me pássaro
porque sobrevôo teus pensamentos
-intermináveis
contratempos-
nos quais anseio ajudar
mas posso, tão somente
olhar.

Fiz-me caminho
Fiz-me teus passos
Teu desatino
e teu cansaço.

Mas nunca
Desejo inútil
entre teus braços.



(Jessiely Soares )

Desacelerado


Teu rosto é um vale
Onde escondes teu sorriso
Que me inundou a alma.
Ah, Alma!

Essa que se perde da matéria
Enquanto durmo
E volta ao teu quarto
Chega a um sussurro...
Deita ao teu lado

Teus olhos
Remetem-me a águas antigas,
Velhas trovas de amor,
Valiosas profecias:
-Tua retina contém segredos
Que a ninguém revelarias-

Tuas mãos, não,
Essas não defino:
Tem uma certeza das minhas curvas
Conhece meus desatinos.
Louca viagem entre astros
Matéria, sonho, delírio.

Paixão é outra coisa
Amor é isso:
-Perder a noite
Pensando alto
Quando estar em teus braços
Não é possível-.

E o tempo
Inconstante,
falso
Mantém esse
Ritmo
.
.
.
Desacelerado.


(Jessiely)

Delirante




As ruas se cruzam
Com meus passos distintos
Certificando-me que sigo
Em rumo diferente
Ao da tua direção.
Perco-me nessa sensação.

Os faróis me descrevem
Assustam-me
Os pensamentos
Giram, mudam
E me pego descrevendo a angústia
Sentando ao meio-fio
Solidão...

-Os meus sentidos
Não perdem o desejo, o amor.
inconscientemente
Aplacam o meu grito
Minha dor-

Contudo.
Ergo-me.
Por que entre os néons que me cegam
Estão meus pés, incertos,
A cruzar esta cidade
-Apenas eles me restam-

A minha alma,
Há muito fugiu deste corpo
inanimado
Está longe, louca, só,
Em seu sonho desvairado,

Talvez esteja perdida pelas ruas;
Por entre poetas calados,
Crianças sem rumo,
Homens sem coração.

Mas, sonha e sorri,
( delirante )
-Que está de volta aos teus braços-.

(E quem sou eu agora para afirmar que não?)



- Jessiely Soares -

Seu maior veneno







Ecôo por essa sala
enfeitada
Por quadros azuis
-Cujo artista
Durante a vida
Não conheceu a fama-.

Estou embriagada
De solidão
-à meia luz-.

Sobre a alcatifa
converso
Com as fotos antigas
De algum parente morto.

E algum mistério absorto
Pensa me atingir
(me escondo)

O medo não irá persuadir.
A solidão da alma
Que me rouba a paz
Deixa-me vulnerável.

- Mal que me corrói a vida
Maldito câncer
Irremediável-

Ressinto
Este sabor amargo
Deste vinho tinto
Com o qual sonhei um dia

E esse sentimento vil
- Seu maior veneno -
Inefável grito de melancolia.

Esqueço a face
Madrugada afora
Tua presença
Não irá chegar.

Brindemos,
Eis que estou só
Minha imagem mórbida
A me dilacerar

À Meia Luz...

Solidão.

[ embriagar]

(Jessiely)

Canteiro de Violetas





Já não alimento
Os tolos vícios de menina.

Nem tenho a centralidade
Do raciocínio concreto
Do que serei:
-Futuro.

O caminho que percorri
Por entre neblina
Era a minha vida;
Em dias de Sol.

E em dias calmos
Senti-me triste.
Eu tentei sorrir,
Juro!

Mas, estava tão escuro.
-Esqueci-.

Absurdo
Passar no canteiro
Entre as violetas
E não chorar.

Inconsistente
acreditar
-amanhã será melhor-.
Se eu nem sei mais se
A manhã acordará.

Impossível
Acreditar possível
Acho que perdi
A dádiva de sonhar.

Melhor deitar
Não Racionalizar,
Rezar um terço,
Fechar o corpo.


[Adormeço]


(Jessiely)

Espelhos





O meu amor
Não grita alto pela rua

Nem aparece na madrugada
A atirar pedrinhas na janela.

Meu amor sobrevive
À distância.

Mas se revela
- Espelha-se -
Através da Lua.

Meu amor está longe.
Minha alma
Nua.


(Jessiely)

Marcas


Não.

Não tenho mais os desejos
inconseqüentes
Dos meus quinze anos.

Nem a certeza,
Quase dormente,
De que tenho certeza
Sobre alguma coisa.

Não,
Não tenho.

Não.

Não posso
Dar-te agora
Nada mais
Do que não tenho.

- o meu mundo
É overdose,
confusão
De sentimentos -

Agora,
dou-te
O que antigamente queria
E não pude.

Porém sem a rebeldia,
Sem a beleza
(há muito perdida),
E sem os planos
inexplicavelmente
Maravilhosos,
Tão miraculosamente
Planejados um dia.

Dou-te colo,
Desses feitos
Pra dormir
E sonhar.

Dou-te
A confiança
De que estarei aqui
Quando o dia acabar

Dou-te a tranquilidade
De quem
Não quer a dança
Por temer o abismo.

Dou-te a paz
Da maré baixa em
Mar antigo.

Dou-te
aliás
Dou-me.

Tenho
As mãos marcadas
Pela idade
E pedaços
De sorrisos
Que perdi nas ruas.

Mas, ainda
Tenho no peito
A calma, a serenidade.
E a alma
intacta
De uma deusa nua.

Toma-me,
Sou tua.



(Jessiely)

Sentimento




Liberta do que me sufocava,
Desafio os meus segredos,
Entregue aos desvios,
Desatino-me escrevendo.

As minhas impressões
Não são pobres.
São apenas
As que me conheço.

Desarmada de vis pressões,
Transmito o que sinto
E transcrevo-me com calma.

- pobre daquele
que não derrama seu coração
sobre o papel branco
e não escreve com a alma -

Não há justificativa
Para um pensamento.

Nem é preciso suar
Para escrever o que penso.

Só preciso de um Luar
- e de um sentimento -
(Jessiely)

Incontida




Pela primeira vez
Sinto-te,
Universalmente,
longe de mim.

E me desespero.

Agora,
estou
incontida,
entre lua
e vida

- me acho
e me perco -

Entre o chão
e as vigas,
que sustentam
essa mórbida vida .

Entre o concreto
em nossa história
e esse vento
que me enleia,
me desabriga.

Desatinos surgem
e me deixam
incapaz de caminhar.

Meu vinho falha:
- Na hora em que preciso
ele não consegue
me embriagar -.

E sinto-me só.
Só demais,
demais;
só.
( Jessiely )

Faço-me Tua





Foi-se embora a madrugada
e eu não soube de ti,
Meio dia, presa à sala
admito : me perdi.

- A noite me fez menina -

Entre faróis que passam longe,
Entre o néon que me ilumina,
Entre os sertões que me afligem
A secar minha retina.

- Procuro-te na minha cama,
mas, nunca estiveste aqui -

Madrugada foi no vento,
sol a pino em teu lugar;
Agora sou só o lamento:
-O meu amor, onde estará?-

E assim sendo, os dias vão-se voando,
em desespero tento contê-los
Mas, são areias finas deslizando
no vão entre os meus dedos.

Encontro-me só a afugentar meus fantasmas
resignada a converter-me em saudade,
sigo os rastros da madrugada que retorna
e me embriago de insanidade.

-Então silenciosamente
Deito-me nua no meio da sala
e faço-me tua
por nossa vontade-.
( Jessiely )

Teu Olhar Marginal


Luar
Arrebatado no Céu,
Ofuscando o brilho
Do teu sorriso nas estrelas.

Eu,
Perdida em incontáveis astros
Que brilharam em teus olhos
No meio da madrugada,

Faço-me completa
Ou despedaçada
Em milhões de sentimentos.

Ao som de um saxofone
Que toca Ravel
Dependurado na sacada
Do meu pensamento.

E me deixo louca,
Qual rosa despetalada
Num desabrochar
- intocada e nua -
Ao sabor do vento

E por teus olhos
Tão detalhistas,
Numa graça louca
Sinto-me observada.
Mas, no dito momento...

Desponta o Sol
Foge a graça da noite,
Meu sonho
Foi tão real!

- acordaram comigo
a luz que banhou a noite,
o som que ouvi tocar,
e teu olhar Marginal! –

(Jessiely)

Luar Bandido




Sonho acordada
Que seguro forte as suas mãos.

Mas, você está longe,
Eu bem sei.

Porém,
Esse vento tão suave,
Esse Luar tão antigo,
Teimam em trazer-me você.

- será que se sente assim também? -

Pelas ruas em que caminhei
Fui me deixando pouco a pouco.
E em seus braços, onde adormeci,
Imprimi as formas do meu corpo.

- será que ainda lembra do quanto fui feliz? -

Agora, todas as noites.
Sento-me com a saudade
E repito que te amo:
Com a face iluminada
Pelo néon dessa cidade.

- faz-me falta o seu verso,
para embriagar-me de insanidade -

Pensativa, solitária,
Olhando um Luar vagabundo
Que cisma em me enlouquecer,
(deixo vinho esquecido, imerso em melancolia)
Fico sonhando: "Com que sonhará você?".

E dessa imersão em sentimento
Suspiro sorrindo,
Imaginando conseguir lhe falar:

- Amanhecerei ao seu lado querido,
Porque aqui tão longe,
Já nem sei mais sobreviver...
Não sou sequer feliz,
E esse Luar bandido
Não me deixa adormecer-.
( Jessiely )

Síntese


Havia teu cheiro.
- os lençóis,
a janela -
O Sol nascendo.



Os nossos corpos:
- enorme síntese
de tamanha paixão que nos uniu -


O Céu,
no alvorecer sobre o Recife.


A madrugada.
E nos amamos.
( Jessiely )

Teu Fogo




Pegue-me.

Mas pega leve,
Que quero voar.

Não me solta,
Mas deixa-me solta
Que assim planando
Irei te amar.
Sinto-me como grão de amor
-Que o vento carrega
em tua direção-

Teu fogo é que me dilacera
E perdida em teus braços
Sou transformação!

Não me larga,
Não me deixa à toa,
Mas me deixa ser
Como eu sempre fui:

Andorinha que se refaz no vento
Nesse teu sentimento
Deixa-me leve
- mas me possui -
( Jessiely )

Destino





O Sol que nasceu sobre nós dois
E encontrou-nos perdidos em tanto
Ainda nasce e para me matar de inveja,
- Toca teu corpo,
Tão longe de mim-.

-Por essas minhas ruas de primavera
Já não encontro minhas pegadas;
Por que as deixei junto as tuas
Nas noites chuvosas, pelas ruas molhadas-.

E agora, seduzida por teus olhos,
Embriagada a relembrar os teus carinhos
Meus passos firmes, porém solitários,
Convergem a procurar o teu caminho.

E não há contramão nessa estrada
Não temo nenhum erro ou desatino;
O que vejo entre nós é mais que amor
É paz, futuro certo:

- Destino.
( Jessiely )

Minhas poesias




Na noite em que o sentimento
Ultrapassa a alma,
E rasga a pele,
Eu sento e choro.

- Choro porque estou só.
Choro porque alivia o desgosto
Distribuindo a dor em lágrimas
Por outros membros do meu corpo-.

No momento em que sinto:
Que essa raiva me estrangula,
Que essa solidão agride,
E que essa covarde depressão me domina;
Eu desisto de repensar a vida.

-Não fumo mais,
porque não há mais fantasia
Em ver na fumaça que se esvai
Alguma possível saída-.

Hoje, não me entrego
aos delírios da embriaguez;
(Que me rendem uma ressaca na manhã seguinte.)
Nem me perco mais em livros de auto-ajuda;
(Não conseguirei mesmo me tornar Buda.)

Tudo o que me supre nessa noite
Em que solitariamente despedaço-me;
São as minhas poesias...

- Que perto assim de mim,
Comportam-se como amigas.
Não tem críticas a me tecer.
Fazem-me companhia-.

Nem cedem ao sono
Quando necessito que estejam perto.
E são estas (porcarias) poéticas que escrevo,
Que me deixam menos aflita:

- Será que não conseguiria usá-las
E reescrever a minha vida?-
( Jessiely )

É madrugada, estou só.


É Madrugada e me acho só.
Sinceramente, estou melhor assim.
Abro uma garrafa do meu melhor vinho.
Desponto-me a pensar em mim.

Minha vida não foi tão inglória
Não foi caos, nem passou por passar.
Ai que morro, mas não de remorsos.
Meus olhos cerrados, não querem chorar.

A noite tem esse fato.
Aconselha-me a recordar os desejos.
Mas, se miro a figura que amei,
Vejo a cor dos teus olhos no espelho.

Eles são umas sínteses de ti
tem cor de malícia e olhar de aconchego
pedem acolhimento e mostram coragem
seduzem sem se dar conta, me tomam por inteiro.

E assim, me perco dosando,
Tudo o que de bom me aconteceu.
Minha alma, aos poucos cala,
Com a lembrança daqueles olhos seus.

E se tudo for de fato, sonho ébrio.
Perco-me em teus olhos magistrais
Eu tentei – já desisti – torno-me etéreo
E saio a te roubar, mil beijos marginais.
( Jessiely )

˙·٠•♥♡ O que tenho em mim ˙·٠•♥♡




O que tenho em mim são resquícios de qualquer eufemismo barato:
São versos contraditórios, e nos quais eu não me acho.
Que me deixa na ilusão de que nada sou
– que me acabo-

O que tenho em mim são promessas
- desejos que nunca vivi-
Incontidos nessa manhã, desfiam vontades como essa.
De sentir aromas que jamais senti.


O que resta em mim são pedaços
- de todas as minhas vidas, e das mulheres que eu já fui-.
São pétalas, vinhos, vontades, abraços.
Poesias que me tomam nesse escuro que me possui.


O que me faz infeliz sou eu mesma.
E o que se esconde em mim, - já nem sei-.
Sentada nos meus ombros, está a minha consciência.
Repetindo que sou apenas, restos perdidos de tudo que sonhei.


E quando essa sensação salta da cama comigo
- o dia passa lento, quase a torturar-
Desvio os pensamentos, absorta na minha hipocrisia.
Decidida a não ouvir minha consciência a clamar :



"Tu não és quem fostes ó incompleta poesia,
És agora meu pedaço, que eu vivia a procurar.”


˙·٠•♥♡ (Jessiely)˙·٠•♥♡

Último Passo


Chove.
E aqui dentro de mim,
mil pensamentos e sensações.
Tudo menos frio.

Chove.
-Chove dentro de mim,
As lágrimas pela irracionalidade humana-.

E meu olhar, silenciosamente,
Chove de raiva;
Raiva das pedras que atirastes
Mesmo ao ver-me desarmada.

E, se me aparecesses - olhar marejado, voz turva-
Tarde demais:
- Tuas lágrimas não podem me afetar.
Teus sonhos desfeitos não me entristecem-.


E com a forma concisa que somente aqueles
que sofreram demais têm,
Eu mirei minha imagem no espelho,
Perscrutei minha retina,
Percebendo-me vazia... Sussurrei.
“-Livre!”.


Foi o último passo que trilhamos juntos.
( Jessiely )

Eu


O que eu escrevo não passa de porcaria
E o que eu digo não faz mais sentindo pra mim
Sou a perfeita inversão de alguma alegria
Estou na contagem regressiva do meu fim.
- Melancólica -
( Jessiely )

Encontro de Céu e Mar




Houve encontro de céu e mar
-Quando teus olhos miraram os meus-
Tínhamos pouca idade, recordo-me:
Os meus anos de inocência, e os anos de ternura teus.

Nada depois superou a presença, o carinho,
Foi meu cúmplice, meu herói e meu bandido...
Nas manhãs de Sol a te roubar beijinho;
Foi meu amor mais amado, aquele nunca esquecido.

Hoje passei na tua rua...
Coração quis soluçar.
Lembrou que um dia foi teu, porém o destino,
Levou-te para longe onde não te posso mirar.

Retorno ao passado e traço sonhos
-Puros, irreais, e desvãos-.
Passo a me tornar astro eterno
Nas várias incógnitas do coração.

E se não estás aqui, pouco importa:
Minha alma voa até você.
Sinto-me brisa, afago teu corpo.
Deito-me junto até amanhecer.

E depois de tanto amar
O dia clareia.
Eu torno a viver.

Efêmero




O vento furioso numa tarde a vagar
Sacudiu a minha vida e te levou :
-Fiquei na porta te olhando ir,
Não fizestes menção alguma de querer ficar,
Abristes as asas, querias partir-.

Fizeste-te efêmero.
Não tivestes capacidade
Para ser eterno. Para Amar.

E te fostes. Seguistes os ventos que queimam no deserto;
que toca as águas dos rios, que sussurram na imensidão.
E eu fiquei triste, aguardando outro vento, decerto...
Calada, na varanda, chamando você em vão.

-Não sabia mais de ti. Anos passaram.
Numa tarde de primavera
O mesmo vento te trouxe de volta-.

Chegastes com aroma de todos os lugares,
E com sorriso de outras bocas ansiosas...
Eu te olhei, reconheci, mas não pude ficar!

Agora que voltastes o vento me enleia...
Arranca-me desta areia, já não podes me tocar.
Tenho o coração leve... Levo minhas esperanças.
Já não sou triste, amo de novo:
Eu ganhei asas e vou voar!

Criação.





Escrevo a giz, sentada sozinha,
Encostada calada nessa parede vermelha...
Observo o jardim, a casa da vizinha...
Olho - sem ver - por cima das telhas a vida.

Tardes assim, sem nuvem, sem Sol.
Eu me pego calada, raciocinando, sentindo.
E com um giz, ou graveto, rabisco a parede, a areia.
E escondo dentro de mim, esse sentimento antigo.

Ah, suspiro, porque na verdade não há mais nada a fazer.
Esse fim de tarde manso, esse vento de anoitecer,
Acende-me as ilusões, me deixa a especular,
- Mais um dia se foi, e não sei onde vou chegar-.

O imprevisível, o insensato, o inimaginável.
Os opostos, os desastres, os conflitos.
O certo, o concreto, o imutável.
Calo no peito a angústia e meus gritos.

Sinto-me Atlas, mesmo tendo os ombros leves.
Pois o peso do meu mundo eu carrego nas mãos
Essas mãos que rabiscam mil sonhos tão breves,
Esconde a dor que trago e a minha solidão.

No peito tenho o fardo do cansaço do espírito.
E mil sonhos destruídos no meu coração.

Adormecido





Espero-te ansiosa à soleira da porta;
E o vento lá fora se faz anunciar.
Quem dera amado - se chegastes agora -
Poderias enxugar esse pranto a rolar.

Andei longos anos de luto eterno;
E as horas eram lentas demais.
Passeei entre trevas, sem ver os caminhos...
Hoje eu insisto, preciso de paz!

Ouça: - A chuva aumentou está mais frio agora,
porém, aqui dentro meu peito meu coração já dorme aquecido-.
Meu pensamento vagueia por muitas ruas, embora,
Saiba que tu estás a um canto, adormecido.

Tenho espaço demais nessa casa vazia,
O lençol sobre a cama que não quero deitar.
E eu miro o retrato, nossos doces sorrisos.
São pedaços de mim, que ninguém vai levar!

Amo-te


Amo-te.
Não porque foste meu por tempos imemoriais
Ou porque o lirismo comedido te trouxe entre versos e sonhos.
Amo-te porque me fizeste sorrir quando me faltava tudo o mais.

Amo-te.
Não por teus olhos castanhos (que me deixam extasiada),
Ou por tuas mãos (que me acariciam e me dão vida nova),
Mas pelo que sinto quando me olhas, me abraças,
E sussurras que longe de mim já não há mais nada.

Amo-te.
E não é surpreendente.

Se entre tantos eu te vi e me notaste.
Se naquele instante tu me reconheceste e recuaste o passo,
Voltando placidamente ao meu encontro,
E eu, já embriagada de tanto uísque,
Senti o encontro dos teus lábios no meu rosto,
Um - oi - sussurrado ao ouvido.

E tu não o sabes, (ou talvez saibas):
estremeci.
O ar fugiu.
E me rendi.

Amo-te,
Pelo sublime momento no qual me beijaste,
Deixando o rosto escorrer pelo meu até alçar-me os lábios.
Pelo sorriso doce lançado tão próximo à minha boca,
Como um explorador que enfim encontrou o que buscava.

E sabes, amo-te ainda mais,
Por não soltares minha mão naquela noite,
Por não soltares minha mão naquela manhã,
Por não soltares minha mão, meu amor.

certas loucuras


Enlouquecera. Assim cismara seus pais.
Cuidaram todos em trancá-la
Procuraram em todas as ervas
Uma forma de curá-la.

Quando a porta rangia a noite,
Inquietava-se toda a família.
Guardavam-na no quarto, cerravam a porta:
- Precisas descansar!- Só ela quem não compreendia.

Tantos anos já passados, curada, ela vaga pela rua.
Existe apenas - é um rosto na multidão-.
Com seu cabelo desarrumado, mal cortado
e o olhar que mira somente o chão.

Roubaram-na a juventude,
prenderam-na num castelo,
mas, alegaram que ela superaria.
-Se foram insanidades, deixaram-na sã;
Porém se havia paz, restara-lhe só agonia-.

Agora anda só, não fala, não olha.
Não chora, não ri, não dança...
Ceifaram a loucura? Sinceramente eu não sei.
Mas ceifaram-lhe a vida, a juventude, as esperanças.

“Foi o melhor pra ela” dizem seus pais
Eu aqui, fico com minhas desconfianças...

Raios de saudade




Afora teu cheiro, e teu carinho,
Nada mais me faz sentir falta.
Por nenhum outro motivo me faço esquecida :
- Deitada na rede, no meio da sala-.

Por mais que tente fugir;
Teu olhar me prende mais.
- Em que ruas eu tornarei a tocar-te?
Quando me devolverás tua paz?-

E a saudade me toma sem espera,
Os olhos marejados e um Sol que já se esconde no horizonte.
Torno-me raios de Saudades pelas ruas estreitas;
Na esperança que numa delas te encontre.

Cairia em teus braços,
Levar-me-ia embora
Junto com teu corpo,
Não me importa para onde,
- Nem a hora-.

Fogo Antigo


Há um fogo incessante que me consome
E que pela manhã salta da cama comigo.
Enquanto arrumo o cabelo miro o espelho,
Percebo na minha face o mesmo fogo antigo.

Sobre a velha cabeceira o teu antigo retrato,
E a tua biografia - que cismei - e nunca escrevi.
Então me esquivo e refugio-me cauto;
Para não esbravejar, (ainda é manhã) que não te esqueci.

Esse grito na garganta cerrado há milênios
É prova certa que meu destino é vagar
- E se me perco, e me renasço, e me descubro tênue.
As velhas frases e as incertezas não irão mudar-.

Nessas incoerências sobre minha vida,
Perco-me ainda mais, querendo te encontrar.
Arrumo o cabelo, visto uma roupa cinza;
Encho-me de alegações,
Saio para trabalhar.
Entardece.

A Tarde



O Sol brilhava entre as árvores, era Tardinha.
O chão salpicado de luz e sombra.
Eu observava calada, uma menina;
Que brincava feliz na grama na pracinha.

E os cabelos que voavam serelepes,
E os sorrisos que escapavam do rostinho,
E o brilho em seu olhar que se repetia
A cada revoar dos passarinhos.

Estive então, a rever um filme - em preto e branco -.
Que se passara há alguns anos atrás.
- Eu tive esse mesmo sorriso, essa alma leve.
Eu tive a mesma inocência, a mesma paz- .

A tarde some. A mãe da criança à pega no colo.
E ela se vai, a relutar, fazendo birra.
Não imagina que deixou em mim essa incógnita:
“Em que praça eu esqueci a minha vida”.

Agora, remonto o meu quebra-cabeça.
Tentando entender o que passou.
- Qual espelho mantém a minha face presa?
Que inocência eu perdi num grande amor?

-E essa efêmera alegria que passa,
Deixa apenas um corpo, que trabalha e que se cansa,
Descobri, tive muita pressa pra crescer,
-Eu perdi a minha alma de criança-.

Esses dias


Tenho sofrido esses dias
Mas não esses sofrimentos por perdas eternas:
Dessas que afligem,
Desequilibram, dilaceram.

Eu tenho sofrido as apáticas dores de existir.
- aquelas puramente inexplicáveis
e inexplicavelmente puras-
Estas já enraizadas em meu ser,
Acredito que já nasceram comigo.

Nesse meu sofrimento indefinido
Padeço vendo o Sol nascer,
E mesmo quando está a pino;
-ao meio dia- Parece que não pode me aquecer.

Fico sentada sozinha,
vendo o despontar da lua,
E nesse desencontro comigo mesma,
Parece que o astro me repele.
-Não me vejo mais como antes,
E nem saio mais à rua-.

Olhar-me no espelho para quê?
Não reconheço minha face.
Miro uma ou duas rugas,
Das quais não me recordo de ter visto,
Hoje pela manhã...

Ando pela casa, silenciosamente.
Essa ansiedade tem mesmo que aparecer?
Tenho que colocar a cabeça no travesseiro e dormir...

Não agüento ver,
Que já é manhã.
De um outro dia.

Mais um filho



Perdida em caminhos clandestinos
Fiz-me verdade, escultura, coração.
E nessa indecifrável reviravolta
Redijo incógnita sob a voz do coração.

O que escrevo é incorpóreo, incorruptível.
-espiritualidade, instinto maternal -.
O poema que expresso é mais um filho
Que lanço puro ao mundo material

E que seja, intempestivo nascimento,
Essa declaração sutil escrita em versos
Que contém mais de mim do que confesso
E em silêncio se espalha à reescrever o tempo

Prodigiosamente despedaço-me-
por já não ser o que eu era antes-
E incutida em desatinar um sonho ébrio
Perdida entre versos lancinantes

E os poemas que eu sinto, dou a luz.
-Aliviada-.
E depois que eles nascem sou feliz.
Sou mãe – esquecida- nas vertentes da minha estrada.

Pétalas Rubras


Pétalas Rubras no fim da tarde eu chorei.
E o silêncio desse instante me transpassa
Mil pecados, com o meu coração eu pequei.
E por castigo eu perdi as minhas asas.


Horizontes longínquos não te alcançam
E meu corpo é torpe andarilho a vagar
Sem destino, motivo ou descanso.
O silêncio em meus olhos faz meu coração gritar


E esse grito contido é desespero
E não pensar me embaraça os pensamentos
Não saber o que a vida me destina é loucura
- seguir sozinha, é tristeza, é tormento-.


Pétalas rubras no fim da tarde eu chorei.
A noite veio mansa, nem percebi.
Repensando os caminhos que trilhei
Entre lágrimas e lençóis eu adormeci.

Coração insano





Acalma-te no peito coração infeliz!
Teus passos rápidos não me predizem nenhuma paz
Não te percas, caminhando. Eu te refiz!
Não tornes a magoar-me nunca mais!

Não te permito que outra vez me faça triste
Porque não suportaria essa tristeza em meu olhar
Em teu caminho, anda calmo, observa.
Foge incessante antes de se dar, se magoar.

As tuas feridas já sararam meu inocente.
Mas, as cicatrizes, não há como apagar.
Não te tornes frio, falso ou incoerente,
Cuida-te apenas, não tornes a despedaçar.

Porque nessas quedas, perdi-me pelas calçadas.
Ouça-me, não te faças de bobo, não te deixa ludibriar.
Pois ficarás despedaçado, e já não sou mais tão capaz.
Abandonar-te-ei sangrando e não ousarei me levantar.

Saudades não sinto




No peito vazio um coração sem amor.
E no silêncio da sala teu olhar não mais me invade
Nesse sonho segredo-me em algum meio tom
Eu sinto saudades, de sentir saudade!

Na Televisão, passam coisas antigas,
E mesmo assim, não me pego a chorar.
Percebo-me a transfigurar as imagens da vida,
Procurando sentir-te outra vez e me achar.

-Pode um amor tão imenso acabar?-

E me aquieto assim, esquecida, jogada.
Deitada, pensando, sem vinho algum.
Sem histórias, sem planos, sem boas jogadas,
- De todos os meus amores, não me restara nenhum?-

Assim, supero as presenças iguais,
Desses vultos eternos que tentam me assombrar
Espalho na mesa, as minhas últimas cartas,
E vou pra cama, raciocinando em paz.

-Saudades eu não sinto... Eu devia chorar?-

Um arrebol




Abandonei o labirinto das minhas idéias
Fiz-me plena, capaz, inteira.
Sinto-me todo dia diferente.
E perdi a capacidade de não ser verdadeira.

Ah, por quantas noites vi tantos astros perdidos no céu!
E quantas vozes me subtraíram à verdade.
Imensos sonhos eu rabisquei chorando em qualquer papel
Tentando apagar em mim, essa ansiedade.

Tantos desvios eu encontrei e silenciosamente deixei-me levar,
Juntando conchinhas para não me sentir tão só.
A solidão, levava-me pela mão, a me ver chorar.
E ficavam na praia as pegadas, e um arrebol.

Existirei





Um passo a mais e me afasto de ti.
Meu peito dilacerado pede pra que eu não te deixe.
Mas estou seguindo mesmo que ele se queixe
Agora não volto atrás, vou seguir.

Por quantas veredas terei que caminhar.
Até achar o caminho dos barcos?
Perdida dentro de mim eu não sei como agir.
Faz frio na alma e não tenho teus braços.

Sim, avisaste-me o mundo é vasto demais!
Mas, meu caminho árduo só eu posso construir.
Travarei guerras, chorarei rios, me acharei sem paz.
Sofrerei mil perdas para poder existir.

E existirei.
E resistirei.
E serei nova a cada dia.
A saudade vai comigo, será minha companhia.


No meu deserto




O vento do deserto embaraçou meus cabelos
O Cheiro longínquo me trouxe o aroma de algum lugar
Embebedo-me de brancura, atordoada num lampejo.
E de volta cá estou retornando ao teu lar.

Não me vejo nos lugares onde fui
Caminhei por areias infinitas
A cada passo dado estava mais longe
Caminhando a sós, andei perdida.

Mas, como miragem tu despontastes.
Teu sorriso meigo lançou-me ao Céu.
Longe de ti, eu fui aos extremos...
Eu fui sempre sozinha, mas não me fui fiel.

Traí-me. Admito. Da mais vil maneira.
Menti que viveria sem você.
Volto pra casa, abandono o orgulho...

Preciso da tua metade, para ser verdadeira

Vestido de chita


Dentro do meu vestido de chita

Me pinto de todas as cores do mundo
De todas as manhãs...
De todos os fins de tarde...
De toda Lua cheia a nascer no mar.
Já me basta um vestido de chita - florido -
Colorido com tons de alegria...
Onde estão todas as canções da minha infância
E todas as vozes do meu dia.


Já me despi dos preconceitos
Me libertei do que me sufocava
Calcei a sandália mais rasteira,
saí a dançar margaridas, por entre as praças...


O Dia de azul, Fez-se de mil cores...
E de tanto colorido, fiquei transformada...
De tanta luz, de tanta cor, de tanta vida.
Fui dormir solta, e feliz...


Já era madrugada !

Corpo dormente


É dia

Sombras tristes que me assombravam
Pela madrugada, já dissiparam.
Negros vultos que também me perseguiam...
Já sumiram...

Já amanheceu, dos vestígios dessa noite
Restou-me uma taça esquecida;
E uns goles desse vinho doce
Que me ajudaram a suportar os medos dos desatinos da minha vida.

Foi uma embriaguez,
Que só me envolveu a alma.
Que apenas me turvou a visão.
Mas, que não me devolveu a calma...
Nem preencheu a solidão.

Enganos tranqüilos, coração bandido.
Sutis desejos de um amor urgente
Sol a pino, a manhã vai alta, mas estou imóvel.
Sou apenas sonhos num corpo dormente.

Jessiely Medeiros

Liberdade


Estou livre,
A alma leve,
Sentimento de paz,
Nada mais me fere...

Embriaguez no corpo,
Sossego no espírito,
Tenho certeza que não estou morto,
Porém, não estou vivo.

Oh! Meu corpo inteiro está a mil!Já não sou apenas um único pedaço.
Sinto-me às vezes vítima de uma explosão
E, tenho a alma desfeita em estilhaços.

Estou em busca do meu ser
Mas de mim, não há sequer retrato.
Estou transparente, por dimensões, longe de tudo.
Procuro-me em espelhos, mas não me acho.






Jessiely Medeiros

Palco da vida


Abram as Cortinas
A peça da vida começou!
Descalcem as sandálias, soltem as amarras,
Porque o espetáculo da vida começou!

Quem vai esperar, nessa representação da vida,
Pela flor mais ressequida que o tempo já levou?
Quem vai superar do desastre à saudade,
Se a dor que mais invade, é a dor de quem ficou.

E se os segundos, infindos, teimam em me guiar
E se a saudade bater forte cada vez que eu vacilar
Lembro me da peça, eu tenho me recompor...
Fechem as cortinas,

O Teatro acabou.

Decepção



Construí um infinito em cada frase...
E plantei mil sonhos aos teus pés...
Agora observando, não frutificou .
Não me esconda... Mostra-me quem és !


Não me obrigue a perguntar por aí....
Se alguém te viu pela madrugada!
Não me faça ir de porta em porta.
Indagando aonde estavas, com tua vida toda errada.


Estás perdido , coração vagabundo !
Estás perdido nesta vastidão de mundo.
Estás sumindo cada hora, um pouco mais...
Irás perder o que contruístes...A mim, tua vida, tua paz !


Pobre de ti, pobrezinho...
Triste teus passos, que serão errantes...
E, se na sarjeta, na rua fria,
E, se em um dia triste te sentires vazio...
Lembra teu passado, que ficou distante