
Por essas ruas, por essas luzes amarelas...
Fui deixando pequenos contrastes
- amor e pedra -
por passos não contados no caminho
Medindo
sob estrela e a aquarela
sob o canto do bêbado e a espera
o rubro alvorecer no céu antigo
Conjuguei em versos tais,
- de universo e outros vinhos -
a certeza da entrega
em cálidas noites
de serenos antigos demais...
Os passos não contados
que ficaram de tantas vidas
já não cabem...
nem nessas luzes - segredosas de passados -
nem nessas pedras de rua
de madrugadas imortais.
(Jessiely Soares)
*Foto do Recife Antigo:
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=518469
Noites e pedras
Prematuridade

Prematuridade
Nesses dias de ocaso
ao meio-dia
em que tudo lança, fere, sangra, mata
me deixo em pedras frias na calçada
na esperança de chocar-me
contra o vento
Nesses tempos
em que tudo morre, tudo esfria
desenho a última dor da poesia
que se deixa adormecida ao relento
E por horas, inocentes e mostruosas
espero tua voz
vir me carregar antes do Sol...
Não é o que me dizes que me dói
a minha dor é porque tu não
me salvarás à tempo.
(Jessiely Soares)
Contrastes
Poesia enferma
Explosões
Quando teu sorriso cai
na boca da noite
me foge o verso
e meio quilo de dissabores
por entre estrelas de mata fechada...
E se a noite não fizer nenhum sentido
ou se a madrugada
não adormecer contigo,
pinto teu olhar na alvorada.
(Jessiely Soares)
Madrugáveis

estive pensando
no peso de duas estrelas
no vácuo do universo
e em dois dedos de boa prosa
com uma cachaça
no invernar do brejo
ao som de qualquer violeiro
ou dos causos perdidos
do velho Joaquim
e tudo que me faz feliz
mesmo nas horas loucas
de fogueira e violão
é eu gostar de você
e você, contudo,
também gostar de mim.
(Jessiely)
Alvorecer de Maio
Vem cá minha menina, não me olhe desse jeito
será que não percebes que já amanheceu?
Todas as estrelas, rumaram em cortejo
o que era morte, foi na noite
e o que era negro, já morreu.
Senta-te, não chore, deixa cá eu te ninar
não cabe acalanto se não puderes sonhar
não diga que és tola ou que o passado te envenena
é claro e lá fora já é outro rio a cantar.
( será que não ouves?)
Dá-me tuas mãos de branca seda.
Dá-me teu olhar, calado assim,
que me contém
Que todos os teus medos são tão meus
- são tão meus! -
Que essa brisa rouca
não os leva quando vem.
E quando anoitecer
que só reste teu perfume
neste campo, neste sonho
e na voz deste cantor
De nada vale a vida sem a lágrima perdida
que ao molhar teu véu insiste
em desnudar tua antiga dor
Sabe lá quantas das águas
nesse rio que há muito existe
são choros de antigas
dores e mortes invisíveis?
( Enlacemos nossas mãos, não fiques assim tão triste)
(Jessiely Soares)
A Noite da Bailarina
Foi-se a vida
Ou foram-se as asas
Do eterno vôo da bailarina?
Dança o último sorriso
Na face rosa de menina
Flor que morre em acalanto
No escurecer dessa neblina
Canta o último versinho
Minha terna bailarina
Que a noite ainda adormece
E antes da primeira estrela
Faz o último Plié
Nessa atmosfera
Morta
Coloridas em plumas vivas
E parte, meu bem,
Parte
Entre aplausos que te esquecem
De quem teima em ficar
Nesse teatro em que tu brincas
Voas alto em teus sonhos:
Tens o palco dos ares
Para o Ballet da despedida.
(Jessiely Soares)
Das eternas mortes III
*
Antes que acabem
as rendas brancas da lua
e o grito da noite,
o último medo rasgará o vento.
Enquanto quatro mãos costuram,
placidamente,
estrelas nos pés de Deus,
o horizonte imerge
numa última sonata...
Antes do nascer
do dia,
na vermelha morte da madrugada
Haverá fogo nos teus olhos
e nas duas vidas
que habitam em ti,
desesperadas por amanhecer
Uma não irá morrer.
A outra,
sim.
(Jessiely)
Das eternas mortes II

Pode um canto triste
moldado entre folhas
pousar no meu luar?
Um dia, era manhã
quando tu 'inda cantava
e eu ainda estava lá
Sangrou a última pedra
passou o último dia
Tingiu tudo a escuridão...
E tu cerrastes
meu futuro
como versos escondidos
entre o risco
e a imensidão.
Canta agora,
meu destino
canta o canto mais doído
da velha morte que partiu
No clarear da solidão
foi-se tudo, foi-se a lua,
nos deixamos feito chuva
na última curva do rio.
(Jessiely)
Das eternas mortes
Flores na brisa
cheiro de Maio
Dois versos cinzas
em breve contato
- Voa o amor por todos os lados.
Branco de dunas
ruas de Abril
noites de chuva
dia vazio
- Voa amor, aqui tudo é frio
Doces desejos
é breve, é claro
Canta o leito
que guarda o amado
- Voa amor, não fica guardado
Não morre entre cantos
de amor encantado.
Marcadores: Amores e medos
Declaração de amor pelo batismo na cidade antiga"

*
Não, eu não sou pernambucana
nascida
Mas meus anseios crescidos na Paraíba
me deixaram tal qual Ariano:
"Paraíba é colo, recanto
mas Pernambuco
me veste de vida."
Nos olhos, do meu Recife
(assim, me apropriando)
vi o arrebol de sonhos
na noite que morre calma
Fui Marco Zero de bêbados
cantando vinhos e dores
quando a musa brilhava alta.
E surgindo, imersa em luz,
tingindo tudo que existe.
Eu, batizada por fina chuva,
namorava o capibaribe
(Com minha visão bordada
na cidade em que não reside)
"- Oh, Pernambuco que amo!
Oh,
___Recife,
______linda!"
Rasga-me a alma, confesso:
"Adota-me, pois não,
não sou pernambucana nascida
Mas é por te amar, que te verso!"
(Jessiely Soares)
Foto: Felipe Ferreira - http://www.flickr.com/photos/ff_fotograf
Marcadores: Pernambuco em Poesia
Bordando medos
Agarrado no vento
Foi-se o teu rosto pra longe
Onde mora o absurdo
Naqueles dias
Os rios cantaram
- É primavera
Ao redor do mundo!
Mas eis que em mim
O frio dançava
Feito de orvalho e pedra
Entre o horizonte e o mar
Teu amor era a última morte
Anunciada
Onde viver seria algo eterno
Não me atrevi a ir além dessa dor
Virei sereno.
Fingi-me inverno
(Jessiely Soares)
Bordando sonhos
E foram-se luas e flores
Até o tempo desabar,
Quase na palma da mão.
Foram-se doze primaveras
As mais lindas bailarinas
E algumas mortes, esquecidas
Dias, sim
Dias, não.
No doce último sorriso
Bordado de improviso
Naquele último luar
Éramos sonhos como medo
Enquanto as luas escolhidas
Brincavam de voar.
Marinho III
*
Não ouça o triste canto
que soa longe
Que o teu medo
desconheça
tal infortúnio
Não aceita a ilusão
que se oferece
Nas falsas brumas
desse desaguar
noturno.
Tesouros de Sal e nácar,
ouro e olhos
Engolidos
em mortas ondas
- frio e calcário -
Levados a profundos
reinos naufragados
Que ecoam
num madrugar
intempestivo
Não ouça o triste canto
que pressagia
"Guarda o teu medo
como à vida
O mar é a morte
do infinito."
(Jessiely Soares)
Marinho II
Não cantes
ode
As marés
- Mutáveis
monstruosas
Incansáveis -
Nem chores
A morte
De suas vagas
Perdida
Em bravas
Naus incontáveis
Não desenhes
Tua vida
Nas areias
Nem deixes
pegadas
Pelos ventos
Guarde das
espumas
Tuas velas
Poupe
Do medo
Teus rebentos
Só permite
Que a brisa
Do destino
Suprema
hospedeira
Dessas mágoas
Erice o teu
corpo
Em desatino
E te faça
soberana
Nessas águas
Que as ondas
adormeçam
Em teus cabelos
Que vistam
Teu corpo nu
As finas algas.
(Jessiely Soares)
Marinho
Quebram na praia
Desgostos da Deusa
Em brumas de sal
jogadas na areia
E deixam o rastro
murmúrio das conchas
E mortes marinhas
de vidas alheias.
O medo nas águas
espíritos pairam
Ecoam brados
na névoa prateada
Dos assombros da noite
os choros calaram
Nos desgostos da Deusa
que quebram na praia
(Jessiely Soares)
Fotografia de: Bruno Abreu
~> http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?tc=1&id=1438357
Último pedido

*
Enterrem minha alma
no espaço indivisível
entre a cruz e a espada.
E sobre ela
lancem olhares
e críticas perversas
Mas não deixem de matá-la
Enterrem meus passos
na curva do caminho
entre o vento do destino
e a voracidade do rio...
Mas não deixem
meu passado
exposto ao relento
no impetuoso frio.
Levem em sacos vazios
as últimas palavras
de alguém que morre
sem conseguir ver
o tão sonhado pôr do Sol
Rabisquem em pedaços de papel
o poema que nunca foi escrito
Inenarrável!
Pedaços de um sonho qualquer
esquecido...
Mas, não deixem que morram
meus mundos
nem meu amor-lírico
Enterrem meu corpo
antes de enterrarem meu poema
Pois eu não sobreviveria
a morte de um filho.
(Jessiely Soares)
Bem que eu queria...

Queria ser por um dia
artesanato qualquer
pelas ruas de Olinda.
Ser talhada em madeira
pintada com a cor da rua
e do céu que se escancara.
Queria ser exibida
aos gritos
pelo vendedor
no meio dia
nas ladeiras
íngremes
E no meio de qualquer troça
que você notasse
e por qualquer preço
me levasse pra colorir
seu quarto
Mas que toda noite me visse.
(Jessiely Soares)
Foto de Felipe Ferreira -
www.flickr.com/photos/ff_fotografia/2040962840/in/photostream/
Tempestades
Cacos de vidros,
companheiros fiéis
de jornada,
Fizeram da outrora estrada,
iluminado campo
de flores vítreas
Os pés, acostumaram-se,
e já caminham
por ódio, rancor
ou quiçá,
por mera
cisma.
Nuvens, arrebatadas
numa cúpula,
chovem granizo
Em rajadas
de dor e medo
Minha pena,
de morte,
perdida,
rabisca à força
nas rochas
em estilhaços
Como se a angústia
fosse tinta...
ou brinquedo
"Inspirem-me,
ó raios ,
que gritam ao longe
nos velhos dezembros
dos meus antepassados!"
Eis que
minhas palavras ainda terão asas...
alçarão meus sonhos despedaçados.
(Jessiely Soares)
Deus dos Sonhos
Se te esculpo
na areia
toda noite...
De que me vale,
se o vento na manhã
sempre te leva?
Se te tinjo
com tinta óleo
na madrugada
A noite passa,
e a moldura
se esfacela.
Meus desejos
se amontoam
pelos cantos.
Meus cantos
se amontoam
nos desejos...
Faço,
tinjo,
declamo.
Lanço a nossa
sorte
ao som do realejo
Entre surtos de desventura
desses que ninguém
nunca previu.
No deserto
da minha cama
tenho medo
Morfeu não
serve,
nem mesmo,
pra esquentar
meu corpo frio.
(Jessiely Soares)
A mesma solidão
*
o que resta dos desenhos na areia
quando o vento vira furacão,
são retalhos de alguma saudade
espalhados em cacos revoltos no chão.
O que rasga o peito a punhal
quando a lágrima cismada entala e não cai,
são gritos recém paridos de uma artéria triste
que se contorce e faz
o medo ressurgir regurgitando espíritos
desfazendo a paz
E a lua que jaz serena
não sente o pânico a me assaltar
Derrama sentada e sonolenta
brancos raios cheios rasgados pelo ar
Finge tranquilidade deixando-se imensa
na amplidão
Mas enquanto suspira estrelas
tentando inspirar algum bêbado ou alguma canção
Repensa a vida inteira
e queixa-se também da mesma solidão.
(Jessiely)
Dos enganos da vida
Vês essa pétala
que sem cor e sem vento
acordou sozinha?
Há mais do que medo
nessa eterna aventura
que tira a vida e a recria,
perdida.
Há dor,
Há saudade,
Há pétala,
que partindo,
se despede
incerta
e
vai.
Não alcançará mais jardins,
nem rios,
nem outro jasmim,
nem carroça ou lagoa.
Mas,
bailará com o vento,
com tal sofrimento,
que até a vida atordoa!
Se cai,
se ri,
se chora,
Se voa,
Não se sabe,
não se sabe.
Morreu esta pétala
que um dia foi flor...
sem medo ou angústia
Em inércia profunda
Apaixonada
Pelo vento
deixou-se levar
- iludida -
num último pôr de sol
de uma tarde
pérfida
Vês, filha?
Vês essa pétala
que sem cor e sem vento
acordou sozinha?
(Jessiely Soares)
Segredos
*
O rio sussurra
Durante a passagem
Silêncios inabitáveis
Só aquela flor
Desbotada,
embalde
Conhece os mistérios
Que
_____v
_______ã
_________o...
___________v
_____________ã
_______________o...
Em sua eterna
susceptibilidade
As águas mansinhas
E turvas
Oriundas de tantas
fúrias
Não conversam
Com o mundo
Em meio à escuridão.
Apenas aquele
Resquício de vida
Minúscula e
Descolorida
Contém os
amores
E as esperanças
perdidas
Que o rio
sussurrou
- Dos trigais
A deitar
Com a força do vento
Dos moinhos
Dos filhos
Dos mananciais
E o choro de Deus
Que serenou
Em tantos cais-
Descalça
naquelas
águas
Nada ouço
O segredo emudeceu.
Que seja!
O que passa
Guarda um silêncio
fadado
Àquela
_____flor
_______que
__________O
___________vento
_____________enleia
_______..___________e
____________________Que
_______________________não
_________..______________saberá
________________________nada
______________________além
___________________que
________________seu
__________próprio
_____passado
Eu
___Fico às margens
______Sem compreender
____O ciciar
__Do rio
Mas posso esperar
Meu futuro
De olhos fechados.
Monstros
e não me deixe dormir.
Marcadores: jessiely
Maré Cheia
Tornei-me astro
Na velocidade
-como onda voraz
Fui brisa
Te guardo aqui
Parada
Não sou areia
Nem ventania
Sou como onda
Já rebenta
Em teu olhar
Paraíso?
A inércia
Dos minutos ritmados
Com o bailar
Dos teus cabelos
Vento manso
Espuma branca
Mar bravio
Ainda trago
Tuas marcas
Em meu espelho.
Sabe-se lá
quantos
monstros
marinhos
perderam-se
Nas vagas
Que insistimos
Em atravessar.
Terra firme
Não tão firme
Quanto tua voz
escondida
Sob seixos,
Sob relva
respingos
salgados
Que se misturam
Ao vinho
No silêncio
________[da espera].
Minha voz
perdida
Na tua
Onde o mar
De ambos os lados
Chora e lança-se
Entoando cânticos
As deusas nuas
Porém tristes
- eu canto
apenas
Para agradecer
Que tu existes-
Dorme em seu leito
Vis tesouros
naufragados
De tantos navios
Que passaram
E eu não vi.
Na terra firme
Vive meu anjo
barroco
De tão
embriagado
Em seu vinho
barato
Nem desconfia
Que o observo
A dormir.
Enquanto
As sereias nuas
enfeitiçam
Os canoeiros
Eu te guardo
Aqui.
(Jessiely)
Marcadores: jessiely
Tela de Monet
Quando te olho
Que somos
Tal qual
Uma tela
De Monet.
De perto
Somos pingos
E respingos
Misturados.
matizes
embriagados
Tornando o concreto
(des)concreto
De longe
Se nos olharmos
veremos
Que somos
desenho
Que o destino
pintou
Certo.
Uma bela tarde de Sol
Uma ponte que cruza o jardim
Um canteiro
Rasgado a um canto*
Teu sorriso
Cheirando a Carmim
perdido
Entre flores
machadas
Minhas mãos que
Desenham tuas mãos
Brincando com
A sombra das calçadas
Tudo isso passaria
fugaz
Se não fôssemos
pintura
arraigada
Sim,
Tenho ainda mais
certeza
Somos tela nova
Ainda escorrendo
A tinta molhada
Somos mais que desenho perfeito
Somos pingos
pingados
No peito
De algum artista
bêbado
Da madrugada.
(Jessiely)
Immortale
desenrolam-se
Em sua teia brilhante
De cadeias
seqüenciais
Eu raciocino.
Calada
Produzo pensamentos
Escandalosamente altos
Que projetam ao
Meu corpo
Todos os sons inaudíveis
Do teu olhar:
Inaudíveis para os outros
- pobres mortais-
Que não conheceram
Um amor
Como esse
immortale
Indelével
Não perece
Nem sob a mais
Torrencial chuva
Ou o mais
Inebriante Sol
E ainda assim
Não deixa de ser singelo
Como uma mariposa
Ou como Libélula,
Ou ainda como Alga marinha
(ou ainda como a luz salpicada
Sob o arrebol).
Nem
Deixa de ser sutil
Como quem ama no escuro
E se satisfaz
Com os próprios segredos
Com as próprias juras
-Indescritível
Mundo-
(Os sons produzidos
calam-se
Não está exposto
A ninguém
Seu respirar
Noturno.)
E eis que caminho
desenhando
Tudo isso
Nos riscos
bagunçados
Das nuvens passageiras
Enquanto perdem-se
As horas
Em desacordo comigo
Queria o tempo
parado
O caminho
parado
O vento,
Esse atrevido,
Passando devagarzinho
E esse Céu
Que cismou em me ouvir
pensando
E conspirou
Com meus cabelos
Para me
desconcentrar
Perdeu seu tempo
Entre os meus fios embaraçados
Que esvoaçam,
Esvoaçam,
Sempre
Existirão teus dedos
Que os prendem
suavemente
Enquanto tua boca
Feita de mil desejos
E que contêm todos os
segredos
me
desvenda(rá)
E sempre
Terá esse ruído
Mudo
De horas
imortais
Que insistem
Em
Recomeçar.
Marcadores: jessiely
Planar
Vejo-me
criança
E isso faz bem
Literalmente.
Finjo-me
bailarina
Com as mesmas
sapatilhas
Sentada ao lado
De um rio
- nascente -
Nascemos
Ora eu
Ora ele
Num afagar
de
ondulações
Desenho borboletas
Com asas
negras
E a alma
rosa
De leves paixões.
Não
Nem de longe
Sou a mesma
infante
Da qual me perdi
Sentada no
remanso
Sou apenas
Vestígio,
Estrela desastrada
Que caiu
Aqui
Desejo
Que se fez bendito
No passo
Solto e leve
Que me fez pairar
Agora
Sou corpo
inerte
que
Carrega o peso
De não
Saber planar.
(Jessiely)
Marcadores: jessiely
Girassol no meu olhar
Ninguém avisou
Que os segundos
Magoam o peito
Que antes eu
Julgava indolor.
Ninguém
explicou
Que o girassol
Em meus olhos
chora
E cada lágrima
derramada
Carrega um pouco
Da sua cor
Mas eu descobri
Meu rosto manchado
De certo matiz
Marrom amarelado
Carrega a dor
Solene da saudade
E essa brisa
indomável
Que carrega a chuva
Afaga os meus cabelos
Traz gotas
De orvalho:
Pura maldade.
Me deixam
calada
Com canções imaginárias
Pedaços de solidão
Numa terça feira
À tarde.
(Jessiely)
Marcadores: jessiely
Entre as mãos
Que perdeu o rumo
Entre as promessas
(des)feitas.
Resignada
Ao fim
Em idade tão tenra
Ela ainda
Oferece à vida
A cor intacta
Da alma.
Vã oferenda
A vida detém as cores
E almas
furtivas
Tão ou mais coloridas
Que a dela, sutil
E já desfeita.
Só não tem
O detalhe
infinito
Da paisagem
Que desenhaste
No foco
Do meu olhar
Nas mesmas ondas
Que todo mundo
vê
Que beija a areia
E apaga os beijos
Ao retornar
Tu d(escreves)tes
Um caminho
traçado
contínuo
Ao segurar minha mão
Nossos passos
Não ficaram
Mas a vida
Tingiu meus pés
Despitou segredos
Confessou sua razão.
O amor deixa suas cores
A vida se esvai
Mas as marcas que o mar
Não carrega
A brisa traz
escondida
Entre as mãos.
(Jessiely)
Senhora da minha verdade
De frente ao teu reflexo no escuro
Contar-te-ei a minha vida
Histórias desse meu mundo
E não me censure palavra!
Não me faça perder um segundo.
Eu sentia as flores do campo
Enquanto carregavam meus sonhos
Por entre veredas distantes
Onde se diluem os enganos
Eu sentei e chorei, é verdade!
De frente ao meu ser tão profano.
O rio que corria aos meus pés
Lavou toda a hipocrisia
Mudei de rumo e ventura
Fugi da cidade vazia
Por outros caminhos trilhei
Comigo não trouxe a agonia
Mas a poeira, cismei e não trouxe.
Abandonei-a ao léu, no passado.
No chão em que foi traçado
Os meus rastros de infelicidade
Atrevidamente
Cruzei as fronteiras do meu destino
Sou senhora da minha verdade.
(Jessiely)
Anjo crescido
Acrescido de asas
Sentou-se a beira da minha cama,
E me falou, sobressaltado:
- Levanta que já é madrugada,
Dissipa-se o orvalho!
Eu, incrédula
Observei seus olhos
Amendoadamente cor- de- mel
E perguntei entusiasmada
Se ele caíra do Céu.
Mas ao invés de falar
Ele sorriu, gentilmente,
E mirou ofegante
A janela distante
Do meu aposento dormente.
- Levanta, já é madrugada!
Dissipa-se o orvalho!
Mira que lá fora ao léu
Aguarda-te o amado.
Ansioso por tê-la,
E caminhar ao teu lado.
Assim sussurrando
Um tanto mais calmo
Arrebatou-se o Anjo
Do meu prédio ao alto.
Deixou-me sentada
Com o meu melhor sorriso,
Respirando calor,
Sussurrando e sentindo:
“- Estou indo meu amor
Antes que o orvalho dissipe
Orvalha meu corpo
Contigo.”
E sem asas, parti,
Pelos teus caminhos notívagos.
(Jessiely)
Véu de estrelas
Preso no firmamento
Um véu de brancas estrelas
Desenha teu rosto.
Eu, inanimada
Apenas imagino
Se no teu infinito
(re)desenhas meu corpo.
No que penso
Defino
Entre tantas invenções
Um encontro
Um destino
(segundas) intenções
E fico
Sagradamente deitada
Sob o céu de antigos
Sonhos estelares
E se miras
Meu rosto
Do teu trono
Sobreposto
Sobre os anos-luz universais
Verás que sou pedaço
De tua constelação
Estrela
Que te alimenta de luz
Nada mais.
(Jessiely)
Teus Olhos Castanhos
O Sol quase mata quem atravessa o leito seco do rio.
(caminha-se por toda a extensão rachada e marrom-acinzentada do que antes fora um límpido rio azul).
Recorrem às sombrinhas.
Algumas senhoras abanam as saias, na esperança que algum vento atrevido diminua-lhes o calor.
E necessitam. O calor está de matar, lá fora.
Eu aqui vejo tudo pela janela, debruçada sobre uma brisa que vem não sei de onde.
Porém, se teus olhos castanhos me fitassem e me pedissem para ficar alheio a tudo e te admirar na calçada.
Eu ficaria sob o Sol a pino.
Teria frio hoje.
(Jessiely)
Imaginando
E se não houvesse os caminhos,
Onde perco o que procuro?
E se não houvesse a mentira,
A dor, o absurdo?
E se não existisse o porém,
O por quê, o inexplicável?
Ou a dor que me persegue?
Ou o medo do acaso?
Ou a tristeza... A solidão?
E se não houvesse a saudade?
Que machuca, dilacera.
E se não houvesse a fome,
Naquela maldita viela?
E se eu não pudesse reinventar-me,
Ter ilusão?
E se não houvesse isso tudo...
Para que serviria a minha imaginação?
(Jessiely)
Canção.
O caminho imperfeito
Eu sigo calada
-por fora, ao menos-.
Por dentro do peito
A canção se repete
desbravando
as
ladeiras
No meu corpo inerte.
E canto tão alto
Que a canção ressoa
Por olhos, ouvidos.
Na pele, na boca.
Usurpando os sentidos
Da tarde cabocla.
Mas, ninguém me ouve.
Se grito calada.
Se o que me cadencia,
É tua batucada,
Que dentro de mim
Acomoda, se espalha.
Tua voz ressoa, menino!
Devasta.
Teu canto no brilho
Do olhar
Fascinou.
Faço-me ouvinte,
Cantante,
d
e
s
g
o
v
e
r
n
a
d
a.
Por dentro deliro
Os meus descaminhos
Tua mão ritmou.
(De tanta voz tua
E tanto gesto teu
E tão meu,
No fim.)
Nossa canção,
Perfeita de gestos
De alguns traços sérios
Roubados por mim
Me en (cantou).
(Jessiely)
Vidraça Escura
Eu fui uma menina triste
Daquelas que só existe
Por trás de uma vidraça escura
Em uma cidade qualquer
Esquecida em qualquer rua.
Eu tinha um olhar triste
Minha mãe não se poupava em nada:
Eu tinha as bonecas mais lindas
E a bicicleta mais cara.
O que eu não tinha era simples:
Faltava sossego em casa.
(Brigas, madrugada,
Gritaria ,Vizinhança,
corria, acudia :
- Cadê o meu irmão ? Ele ainda é criança !)
Não tinha vontade de sair
para não ouvir o que diziam:
"-Pobre menina, tão pequenininha."
(Meu sorriso,
Era reservado às bonecas,
elas sempre me entendiam.)
E entre carrosséis.
Brinquedos, Natais,
Sonhos insanos;
-E o medo do vidro quebrado
Ao ver papai embriagado
No meio da madrugada,
e meu irmão pequeno
chorando-
Mamãe persistia, explicava
“Existe algo além da dor
- Mundo além da nossa casa –
Deus nos está cuidando"
O tempo arrastado,
reticente,
Foi caminhando
.
.
.
Vagarosamente
.
.
.
Passando.
Cresci. Finalmente.
Os gritos agora já não podem me alcançar
Tenho o dia ocupado:
Trabalho, Família.
À noite chego tranqüila
Ansiosa para descansar
Mas, às vezes...
Meu sorriso aflito nervoso
Volta em meus sonhos
Revirando meu passado
-Me vejo criança, sentada, sozinha,
em qualquer cantinho afastado
sem muitas amigas,
vazio ao meu lado...-
E pela manhã
entendo o que sonhei
Quando miro o espelho...
-Tenho olhos vermelhos
E deixo na cama
Um travesseiro encharcado-.
Percebo:
O futuro chegou
Porém ainda trago
Um coração assustado.
(Jessiely)
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Louca e Pura
Lua
Na amplidão
observando-me
solitária
Esquecida,
redonda
pálida
nua
Não creia que sou
inocente
Ou que não conheço
Meu lado (obscuro)
Também tenho fases
- estou na rua -
Sei que sigo.
sozinha
Essa estrada
Saiba, conheço
Tua forma de
zombar
disfarçada
Finge que esconde segredos:
(- Não sei
Onde esta meu amor
Não me conte
Mais dissabor
Tenho medo.)
Vou seguindo;
A noite é clara,
A estrada fechada,
Iluminada por vaga-lumes.
Quero os braços
De quem amo
Para que não
Cesse o encanto
Nem a solidão
Se acostume.
Refaço a rota
Volto ao quarto
No reencontro
- sou louca
E pura -
Fecho as janelas
Não deixo frestas
Para a Luz
E os nossos
Corpos nus
Tu não verás
Lua.
(Jessiely)
Inerte
dos meus sonhos,
desafio a gravidade,
inerte e imune
à realidade.
Trago teu silêncio
persistente
para meu quarto.
Madrugada nas cortinas,
despida Lua
E teu retrato
orvalhando
pela cidade.
Pobre de mim
que lancei
meus desvarios
sob o nada
e perdi
minhas razões
em certezas absurdas.
Pobre desses sonhos
tão mutantes,
metamorfoses
lancinantes,
mãos fecundas.
- há sempre uma
tristeza
nessa sala
que me inunda -
Nesses momentos
de insensatez profunda,
sou menina.
E apenas
o teu olhar
castanho
me alucina.
Surya
O Sol
Que alimenta
Seu corpo
Nas madrugadas
Sem vida
Nasce em meu ventre
E te guia
De encontro ao céu:
Raios de Surya
O corpo que banho
A luz
Que a clara manhã
tece
É o mesmo
Que na noite
Foi teu
E o calor
Que se entrega,
entorpece
Ah, noites!
Nas quais te beijo
E renasço
-Entre prazer
E espelhos-
E que no fogo
No breu
Explosões...
Sol do escuro
Te aqueço.
(Jessiely)
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Perfume de Mulher
Maracatu
O Corpo corresponde
Aos apelos do som
Que me impõe
A cidade antiga
Os braços flutuam
Entre o Céu e a rua,
Entre a torre e o mar,
Entre o vinho e a Lua.
A ciranda que tece
O bailar ritmado.
Os pés que batem
Com força no chão
Um barco que aporta,
Um farol que ilumina,
A escada sem fim,
Que descortina a imensidão.
E o vinho
Que despertou as lágrimas
E te sorveu para o meu coração.
A Rua da Moeda,
As nuvens carregadas,
E a chuva
Que cismou em não cair.
Agora
Ouço
Maracatu
Longe
De ti.
(Amélia Jessiely Soares)
Cidade entardecida.
Qual lua desperta,
Estive em teus braços
No parapeito da janela, dispersa,
Cuja vista despencava
Numa queda sem fim
Dentro da cidade entardecida.
Os ritmos que
Transpiravam a alma
Faziam-me repensar
As certezas sobre a vida.
Na escada em caracol,
Pela torre mais alta,
Onde antes homens lutavam
Por sua terra,
Honra,
Vida.
- estive
Há poucos passos
De Deus,
Até pude sentir
Sua brisa -
E o sonho encerrou
Apenas por hora.
Com o vinho,
O beijo, a ciranda.
O Marco Zero.
E seguimos
Entre sorrisos e tropeços
A Conde de Boa Vista,
Observando olhares alheios
Deixando pelo caminho
O cheiro do mar,
O poeta na estátua antiga,
Os rastros da nossa história
Nas pontes
Sobre o rio
Sem vida
- mãos dadas
Pela cidade
Antiga -
Proletaríssimo
Pedaços de sonhos:
pesadelos
É que me dilaceram.
Sou apenas
Um sentido oculto,
De um segredo
Que me disseram.
Um ser antigo,
Não na pele,
Essa mera e
Mórbida camada
Que me reveste;
Sou antiga
Em sentido amplo
-Meu espírito não
Foi domesticado
Ainda é silvestre-
(sou sentimento mútuo
Em tempo de amor agreste)
Sou desejo incontido
Em toques
Desses, daqueles,
Aos quais não posso tocar.
E às vezes,
Faço-me orvalho
Pra finalmente
Me dispersar.
E nas madrugadas
Revitalizo-me
Ser da noite
de olhar tranqüilo...
Amanhece
e
recomeço;
Proletaríssimo!
(Jessiely)
Desejo Inútil
porque sempre
- sutilmente -
Vejo-me em tua praia
quando ao fim de tarde
senta-te na areia
e miras o mar
Fiz-me pássaro
porque sobrevôo teus pensamentos
-intermináveis
contratempos-
nos quais anseio ajudar
mas posso, tão somente
olhar.
Fiz-me caminho
Fiz-me teus passos
Teu desatino
e teu cansaço.
Mas nunca
Desejo inútil
entre teus braços.
(Jessiely Soares )
Desacelerado
Onde escondes teu sorriso
Que me inundou a alma.
Ah, Alma!
Essa que se perde da matéria
Enquanto durmo
E volta ao teu quarto
Chega a um sussurro...
Deita ao teu lado
Teus olhos
Remetem-me a águas antigas,
Velhas trovas de amor,
Valiosas profecias:
-Tua retina contém segredos
Que a ninguém revelarias-
Tuas mãos, não,
Essas não defino:
Tem uma certeza das minhas curvas
Conhece meus desatinos.
Louca viagem entre astros
Matéria, sonho, delírio.
Paixão é outra coisa
Amor é isso:
-Perder a noite
Pensando alto
Quando estar em teus braços
Não é possível-.
E o tempo
Inconstante,
falso
Mantém esse
Ritmo
.
.
.
Desacelerado.
(Jessiely)
Delirante
As ruas se cruzam
Com meus passos distintos
Certificando-me que sigo
Em rumo diferente
Ao da tua direção.
Perco-me nessa sensação.
Os faróis me descrevem
Assustam-me
Os pensamentos
Giram, mudam
E me pego descrevendo a angústia
Sentando ao meio-fio
Solidão...
-Os meus sentidos
Não perdem o desejo, o amor.
inconscientemente
Aplacam o meu grito
Minha dor-
Contudo.
Ergo-me.
Por que entre os néons que me cegam
Estão meus pés, incertos,
A cruzar esta cidade
-Apenas eles me restam-
A minha alma,
Há muito fugiu deste corpo
inanimado
Está longe, louca, só,
Em seu sonho desvairado,
Talvez esteja perdida pelas ruas;
Por entre poetas calados,
Crianças sem rumo,
Homens sem coração.
Mas, sonha e sorri,
( delirante )
-Que está de volta aos teus braços-.
(E quem sou eu agora para afirmar que não?)








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